
A missão da delegação brasileira na China tem potencial para alavancar ainda mais a relação entre o agronegócio do Brasil e o país asiático — disse o presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara, deputado Tião Medeiros (PP-PR), em entrevista à CNN.
“A China é estratégica como parceira, seja na compra de produtos brasileiros, mas também como fornecedora de insumos, equipamentos e tecnologias. Então é uma parceria que precisa ser alimentada. Vejo com muito bons olhos essa missão”, afirmou o parlamentar.
O país asiático é há quase 10 anos o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro. Em 2022, teve participação de 31,9% no valor das vendas ao mercado externo – que totalizou US$ 50,79 bilhões.
Produtos mais exportados vão à China, mas há espaço para avanço
Se considerados os dez produtos mais exportados pelo agro brasileiro em 2022, a China foi o principal destino para seis deles: soja em grãos, carne bovina in natura, carne de frango in natura, celulose, açúcar de cana em bruto e algodão.
O deputado Tião Medeiros aponta que “a demanda imensa e crescente de alimentos” da China faz do Brasil um “parceiro estratégico”. “Somos um grande fornecedor, que pode suprir essa demanda. Então o Brasil é um parceiro estratégico do ponto de vista da geopolítica.”
No topo da lista de exportações do Brasil, a soja representou 46% de todas as vendas internacionais brasileiras em 2022. A carne bovina in natura, terceira no ranking, carrega 11,8% do total — o que demonstra a importância da retomada da venda do produto para a China, um dos objetivos da viagem.
O crescimento das vendas de soja do Brasil para a China se mostra um reflexo da expansão do papel do país asiático para as exportações brasileiras. Se hoje o produto representa quase metade das exportações do agronegócio, em 2012 era cerca de 17,4%.
Segundo a diretora da CNA, há ainda espaço para avanço na negociação de outros produtos. Entre eles, destaca o milho, que é atualmente o segundo mais importante para as exportações brasileiras, com 12,1% do valor total.

“Há uma grande expectativa sobre o milho. Nós começamos a exportar milho para a China no final do ano passado. E quem tá no setor fala até que há uma expectativa de que o milho seja a próxima soja. Essa abertura do mercado chinês para o milho vai continuar ampliando a importância do mercado para o Brasil”, afirma.
O presidente da comissão de agricultura reitera o potencial do milho para o futuro das exportações brasileiras. “O milho tem muito potencial porque tem, assim como a soja, múltiplas utilidades. Ele pode servir de ração animal, mas também consegue servir como fornecedor estratégico para etanol, combustível a partir do milho”, explica.
Parceria entre Brasil e China se estreitou na última década
O Brasil viu a China se tornar mais relevante para suas exportações especialmente na última década. Em 2012, o país asiático tinha participação de 18,8% para as operações, ficando atrás da União Europeia (UE).
A partir de 2013, o valor de exportações para a China ultrapassou o negociado com a UE — assim, o país asiático passou ao topo da lista, de onde não saiu até o momento. Em 2018, o valor de exportações para a China chegou a ser 35% do total registrado pelo Brasil.
Sueme Mori diz que o avanço da abertura comercial do país asiático é o principal fator que explica esse estreitamento de relações. “A abertura da China, essa é a grande questão. A China se abrindo como mercado para o mundo fez toda a diferença”, aponta.
A diretora ainda indica que o ganho de importância do setor agropecuário para a economia do Brasil tem relação íntima com a aproximação entre os países.
“A tendência do gráfico de exportações brasileiras para a China tem a mesma configuração do gráfico das exportações totais brasileiras. Então, a gente crescer como cresceu nos últimos anos, uma das principais explicações é o aumento das exportações chinesa de produtos brasileiros”, explica.
Caminhos para estreitamento de laços
Tanto a diretora da CNA quanto o deputado veem a cooperação tecnológica e científica como um dos caminhos para avanço da relação entre o agronegócio brasileiro e o país asiático.
“A China fala muito do aumento da produção interna baseada no aumento da produtividade via pesquisa tecnológica, investimento em pesquisa. E o caminhar do Brasil também vai nesse sentido. Então eu acho que o intercâmbio, a cooperação em pesquisa nessa área agropecuária pode ser muito benéfica”, afirma Sueme Mori.
“A viagem tem esse objetivo de estreitar parcerias, mas sobretudo de abrir novos mercados. Mas é também uma parceria importante na parte de tecnologia. A China é um parque tecnológico muito avançado, e o Brasil não acompanha nessa velocidade. Por isso esse intercâmbio, essa troca, é muito importante”, aponta o deputado.
Sueme Mori ainda destaca que outro das possibilidades que a viagem acarreta é o alinhamento para a chamada “policy advocacy”.

“É a defesa de temas de interesse mútuo em plataformas de diálogo internacional. Imagina sentar em uma mesa com a China para falar de medidas protecionistas, mudanças climáticas, segurança alimentar. Com o tamanho dos dois países, podemos usar isso mais. Podemos ampliar essa relação”, completa.