Tarifaço: Ministro vê ataque dos EUA ao Pix para salvar lucros de cartões

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) confirmou, nesta quinta-feira (23), a aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, alegando que o Brasil não adota medidas consideradas suficientes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

A nova cobrança se soma à sobretaxa de 25% anunciada anteriormente, fazendo com que parte das exportações nacionais passe a enfrentar tributação de até 37,5% ao entrar no mercado norte-americano.

Durante entrevista à BandNews TV, o ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Henrique Rodrigues Pereira, afirmou que, na avaliação do governo federal, a disputa comercial também está relacionada ao avanço do Pix, sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central.

Segundo o ministro, a expansão do modelo brasileiro teria reduzido receitas de grandes operadoras internacionais de cartões, tornando o sistema financeiro nacional um fator de preocupação para interesses econômicos externos.

Apesar do aumento das tarifas, o governo destacou que as negociações diplomáticas preservaram boa parte da pauta exportadora brasileira.

Produtos estratégicos para o agronegócio, como café, carne e laranja, ficaram fora das sobretaxas extraordinárias, reduzindo os impactos imediatos sobre importantes cadeias produtivas.

Paralelamente, foi anunciada uma nova etapa do Plano Brasil Soberano, que disponibiliza R$ 18,5 bilhões em financiamentos para empresas atingidas pelas medidas, com recursos destinados ao capital de giro, inovação, modernização, investimentos e abertura de novos mercados, incluindo apoio às micro e pequenas empresas.

Além do crédito, a estratégia do governo inclui ampliar a presença dos produtos brasileiros em outros mercados internacionais.

Nesse contexto, o acordo entre Mercosul e União Europeia é apontado como uma alternativa para diversificar os destinos das exportações, reduzir a dependência do mercado norte-americano e fortalecer a competitividade das empresas brasileiras diante das mudanças no cenário do comércio global.

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