
A Ressurreição nos coloca no horizonte do amor e da infinitude da vida. Enquanto caminhamos neste mundo, somos chamados a construir pontes: onde houver ofensa, levar o perdão; onde houver ódio, semear o amor.
A Páscoa inaugura um novo tempo. É a certeza de que o bem sempre será maior, mesmo quando tudo parece dizer o contrário. Como lembra Gabriel Chalita, é a força que rasga a morte e revela um tempo novo para aqueles que acreditam.
A vida humana, muitas vezes, atravessa momentos difíceis. Há dores que silenciam, perdas que escurecem o olhar e situações que fazem questionar o próprio sentido de continuar. Ainda assim, existe uma verdade profunda: o bem não se apaga.
Mesmo invisível aos olhos, ele permanece vivo, sustentando a existência e preparando novos caminhos. Deus age nesse mistério. Ele não elimina todas as dificuldades, mas transforma a forma como caminhamos por elas.
O que parecia fim pode ser apenas uma passagem. O que parecia derrota pode esconder um recomeço. A vida tem a força de renascer, de reorganizar o que foi ferido e de fazer brotar esperança onde antes havia desânimo.
Compreender isso não é ignorar o sofrimento, mas reconhecer que ele não tem a palavra final. Há sempre uma luz acesa, mesmo nas noites mais densas.
Quando o coração se abre, a fé se fortalece, a esperança se renova e o olhar passa a enxergar sinais de vida onde antes só havia dor.
O bem se revela no silêncio: na persistência, na coragem de recomeçar e na decisão de continuar acreditando.
A Páscoa de Jesus ilumina a nossa própria caminhada — a nossa passagem.
Vivamos o bem intensamente, pois é nele que encontramos o verdadeiro sentido da vida.
Feliz e Santa Páscoa!
Bênção, paz e bem. Santa alegria!

Frei Jaime Bettega
Capuchinhos/RS