Redes Sociais e Autoestima: a epidemia da comparação social

Antes de analisarmos o impacto das redes sociais, é fundamental compreender o conceito de autoestima.

Ela representa o valor que atribuímos a nós mesmos, influenciando diretamente a forma como percebemos nossas capacidades, conquistas e o quanto acreditamos merecer respeito e reconhecimento.

Na psicologia social, entende-se que a percepção que temos de nós mesmos também é construída a partir da forma como acreditamos que os outros nos veem. Já na perspectiva humanista, o psicólogo Carl Rogers afirma que o nosso autoconceito surge da comparação entre o “eu real” e o “eu ideal”, ou seja, aquilo que gostaríamos de ser. Quanto mais próximos esses dois aspectos estiverem, maior tende a ser o sentimento de bem-estar.

Nesse contexto surge o fenômeno da comparação social, que acontece quando avaliamos nossa vida a partir da comparação com outras pessoas — seja em relação à aparência, conquistas, status ou estilo de vida.

Essa comparação pode ocorrer de forma positiva, quando olhamos para alguém que consideramos melhor em determinado aspecto, ou negativa, quando nos comparamos com quem acreditamos estar em situação inferior.

O problema surge quando esse processo se torna excessivo, especialmente nas redes sociais, onde muitas vezes vemos apenas recortes idealizados da vida das pessoas. Comparar nossas dificuldades com os momentos “perfeitos” publicados online pode gerar sentimentos de inadequação, ansiedade, frustração e baixa autoestima.

Entre os sinais de alerta estão a necessidade constante de postar para receber curtidas, a frustração quando as publicações não têm a interação esperada e a sensação de que o número de seguidores define o próprio valor.

Essa busca por validação pode levar a uma dependência emocional das redes sociais e provocar distorções na forma como a pessoa enxerga sua própria vida.

Por outro lado, quando utilizadas com consciência e equilíbrio, as redes sociais também podem ter efeitos positivos. Elas podem promover conexões, criar redes de apoio e inspirar pessoas por meio de histórias de superação e empoderamento.

Estudos recentes apontam que o uso excessivo das redes sociais está associado ao aumento de problemas de saúde mental entre jovens, incluindo ansiedade, depressão, solidão, baixa autoestima e distúrbios do sono.

Por isso, é essencial desenvolver uma relação mais saudável com o ambiente digital, lembrando que cada pessoa possui sua própria trajetória, com desafios, conquistas e histórias únicas.

“Use as redes sociais com moderação e sabedoria, lembrando sempre que o seu valor pessoal vai muito além do que é mostrado online.”

Marleide Cilene (Cila Marcolino)
Março de 2026