
Após assistir a mais uma reportagem sobre o assassinato de um jovem homossexual, vítima de violência após um encontro marcado por aplicativo, fica impossível não refletir sobre os limites entre preconceito e intolerância.
Um crime cometido não por legítima defesa, mas por ódio, homofobia ou até pela simples rejeição a um gesto.
É importante compreender que o preconceito, embora lamentavelmente presente na cultura social, não se confunde com intolerância.
A própria etimologia da palavra preconceito revela um julgamento prévio, formado sem conhecimento ou análise crítica. Já a intolerância vai além: é a recusa à convivência, ao pensamento diferente e, em casos extremos, a tentativa de eliminar o outro.
O depoimento do autor do crime, marcado por frieza e ausência de empatia, evidencia um processo de desumanização preocupante. Como alertou Albert Einstein: “Tornou-se aterradoramente claro que a nossa tecnologia ultrapassou a nossa humanidade.” Pensar diferente não concede a ninguém o direito de ferir, humilhar ou tirar a vida de outra pessoa.
O Brasil, infelizmente, segue entre os países com maior número de mortes violentas contra a população LGBTQI+. Muitos desses crimes são motivados por ódio, preconceito e intolerância, reforçando estruturas de violência já existentes na sociedade.
Além disso, dados mostram o aumento de crimes associados a aplicativos de relacionamento, incluindo sequestros, agressões físicas e violência sexual.
Mulheres são as principais vítimas de assédio virtual, enquanto homens aparecem com maior frequência entre vítimas de crimes presenciais. A vulnerabilidade varia conforme gênero e orientação sexual, mas o fator comum é a intolerância.
Diante desse cenário, somos chamados a refletir sobre até onde vão nossas crenças, ideias e convicções. É possível viver em uma sociedade mais justa, ensinando respeito às diferenças desde a infância.
Ter opiniões é um direito. Ser intolerante, não.
Por que a cor da pele incomoda? Por que a origem regional, o gênero, a orientação sexual ou a identidade de alguém causa tanto incômodo?
Quem teria o direito de decidir como o outro deve viver, amar ou existir? Como exigir democracia ou invocar Deus quando se nega humanidade ao próximo?
Fica o convite à reflexão: preconceito não pode ser justificativa para intolerância. E intolerância jamais pode ser desculpa para a violência.
🔐 Medidas de segurança em aplicativos de relacionamento
Independentemente de gênero ou orientação sexual, algumas precauções são essenciais:
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Faça videochamadas antes do encontro para confirmar a identidade;
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Prefira locais públicos e movimentados no primeiro encontro;
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Avise amigos ou familiares sobre local e horário;
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Desconfie de perfis recém-criados ou que pedem dados bancários.

Marleide Cilene – É Psicóloga Clínica com atuação na área social, especialista em prevenção da dependência química. Atualmente psicóloga no Hospital das Clínicas em Campina Grande-PB