
Em política, nem sempre vencer é o objetivo central. Há momentos em que perder pode ser visto como estratégia de preservação de poder.
A escolha de um nome da família para liderar a disputa presidencial revela mais do que um cálculo eleitoral: expõe o receio de que uma vitória fora do controle crie um novo polo de liderança à direita, capaz de se autonomizar e reorganizar forças.
É o dilema clássico entre ampliar o campo político ou mantê-lo sob rígida tutela.
O contraste entre perfis ajuda a explicar a decisão. Um candidato com apelo ao centro tende a reduzir resistências, ampliar alianças e dialogar com eleitores decisivos em cenários de polarização. Foi assim que se construiu a vitória apertada de 2022, ancorada na promessa de conciliação institucional.
Já a aposta em um nome familiar sinaliza fidelidade e coesão interna, mas cobra um preço alto: restringe o alcance eleitoral e reforça a imagem de radicalização que afasta setores moderados.
No fim, a opção evidencia um cálculo político conservador: preservar o comando do movimento, ainda que isso reduza as chances no segundo turno. É um caminho mais estreito, que dificulta a construção de pontes e favorece o adversário.
A direita segue dividida entre ampliar seu espectro e proteger seu núcleo duro — e, nessa encruzilhada, escolhe perder ganhando controle.

Jucélio Lindenberg é jornalista, radialista, filósofo, escritor e CEO do Portal PB.