O sagrado cotidiano

Por Frei Jaime Bettega

Bom dia!
O domingo chega de mansinho e nos convida a elevar o pensamento e o coração. É do alto que vêm as melhores bênçãos. A espiritualidade alimenta nossa alma e nos capacita a viver conforme a vontade de Deus. Quem tem fé tem tudo. Abençoado domingo, Dia do Senhor!

“O coração grato transforma até o comum em sagrado.” (Augusto Cury)

Se alguém não souber rezar, mas disser de coração “Obrigado”, estará fazendo uma das mais belas orações. A gratidão torna a vida mais leve e amplia a presença da graça de Deus.

A gratidão tem o poder de mudar a natureza das coisas sem alterar os fatos. O dia continua o mesmo, as tarefas se repetem, os cenários não se transformam exteriormente, mas o olhar se amplia.

Quando o coração agradece, reconhece valor onde antes havia apenas hábito. O comum deixa de ser invisível e passa a ser presença viva. Um gesto simples se torna sinal de cuidado, um momento rotineiro se converte em oportunidade de encontro, um silêncio se revela espaço de paz.

O sagrado não está distante nem reservado a ocasiões extraordinárias. Ele habita o cotidiano de quem aprende a perceber. A gratidão educa o olhar para enxergar Deus nas pequenas coisas, na constância do cuidado, na fidelidade do simples.

Não é preciso que tudo esteja perfeito para agradecer; basta que o coração esteja desperto. A ingratidão endurece e estreita; a gratidão amacia e expande.

Quem agradece não nega as dificuldades, mas se recusa a permitir que elas apaguem o bem que permanece. O coração grato reconhece a graça que sustenta, mesmo quando o cenário não muda.

Há algo profundamente espiritual em perceber que a vida se oferece todos os dias, mesmo sem anúncio. A rotina, tantas vezes desprezada, é o espaço onde a fidelidade se constrói, onde o amor se pratica, onde a fé se exercita.

O sagrado nasce quando paramos de buscar fora aquilo que já está sendo dado. A gratidão devolve sentido ao que parecia apenas repetição. Ela transforma o ordinário em altar, o simples em dom, o agora em presença viva.

Quando o coração aprende a agradecer, a vida se torna mais habitável, mais leve, mais luminosa. E o comum, tocado por esse olhar, deixa de ser apenas passagem e se transforma em encontro com o divino, que se revela todos os dias, silenciosamente, no que sempre esteve ali.

Deus, obrigado por tanto e por tudo.
Bênção! Paz & Bem! Santa Alegria! Abraço!

Frei Jaime Bettega, é frade capuchinho, formado em filosofia, teologia e Administração  de Empresas, pós-graduado em Gestão de Pessoas; doutor em administração.
Capuchinhos/RS