Mensagens revelam encontro reservado entre Vorcaro e André Mendonça em 2025

Mensagens e áudios extraídos do celular de Daniel Vorcaro indicam que o então dono do Banco Master se reuniu com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 14 de março de 2025, em São Paulo.

O encontro teria durado aproximadamente duas horas e foi articulado pelo advogado baiano Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP).

As conversas mostram que a aproximação vinha sendo construída semanas antes. Ciro relatou a Vorcaro contatos com Mendonça e afirmou que o ministro tinha conhecimento de questões relacionadas ao Banco Central.

Em fevereiro, o advogado chegou a enviar ao banqueiro uma fotografia ao lado do magistrado e posteriormente trabalhou para organizar uma reunião.

Os registros também apontam uma tentativa de encontro em 19 de fevereiro, com a possível participação do advogado Bruno Bianco, embora o material não comprove que essa reunião tenha efetivamente ocorrido.

O encontro confirmado nas mensagens ocorreu em março, após Cezinha informar a Vorcaro data, horário e endereço. Pouco antes das 17h, o banqueiro avisou que estava a caminho e, minutos depois, recebeu do deputado a informação de que o ministro já o aguardava. Mensagens trocadas com o motorista de Vorcaro também registram a chegada ao endereço e a saída cerca de duas horas depois.

O material, contudo, não comprova interferência de Mendonça no Banco Central, favorecimento ao Banco Master ou qualquer providência irregular tomada pelo ministro.

O episódio ganhou relevância institucional porque envolve um integrante do STF e um empresário posteriormente colocado no centro das investigações relacionadas ao Banco Master.

Mendonça afirma que recebeu Vorcaro uma única vez, em março de 2025, para ouvi-lo, e sustenta que sua atuação posterior contrariou os interesses defendidos pelo banqueiro.

Ciro, por sua vez, afirmou que a aproximação fazia parte de sua atuação profissional e criticou o uso de conversas privadas entre advogado e cliente.

O caso permanece sob atenção pública diante da necessidade de esclarecer o contexto dos encontros e eventual repercussão nos processos relacionados ao grupo financeiro.

Com informações do ICL Notícias