Mauro Cid abriu o jogo

O tenente-coronel Mauro Cid esclareceu todos os pontos abordados pelos agentes durante depoimento prestado ontem à noite na sede da Polícia Federal em Brasília. Durante a oitiva, que durou aproximadamente nove horas, o ex-ajudante de ordens esclareceu aos policiais pontos considerados obscuros em seus depoimentos anteriores.

PUBLICIDADE

O tenente-coronel Mauro Cid esclareceu todos os pontos abordados pelos agentes durante depoimento prestado ontem à noite na sede da Polícia Federal em Brasília. Durante a oitiva, que durou aproximadamente nove horas, o ex-ajudante de ordens esclareceu aos policiais pontos considerados obscuros em seus depoimentos anteriores.

Mauro Cid deixou a sede da PF por volta das 12h15 desta terça-feira. A oitiva começou aproximadamente às 15h. Durante o depoimento, os agentes questionaram Mauro Cid sobre a reunião ministerial em que se discutiu a suposta minuta do golpe, sobre a participação do ex-ministro da Justiça Anderson Torres na elaboração do documento e a respeito da participação ou não do ex-comandante do Exército Freire Gomes.

PUBLICIDADE

Em depoimento, Freire Gomes disse que se opôs às tratativas golpistas encabeçadas por tenentes e tenentes-coronéis. Ele também implicou o ex-presidente na suposta trama golpista.

Esse foi o quarto depoimento de Mauro Cid. Dessa vez, entretanto, ele foi ouvido como testemunha, não como investigado.

Durante o depoimento, conforme apurou O Antagonista, Cid foi alertado por agentes que poderia perder os benefícios da delação premiada caso não prestasse informações que fossem importantes para o avanço das investigações sobre o suposto plano para se dar um golpe de estado no Brasil.

m ponto que incomodou bastante os investigadores diz respeito justamente ao vídeo da reunião ministerial em que Jair Bolsonaro criticou o sistema eleitoral e dava diretrizes de atuação aos ministros. Esse material, achado em uma busca e apreensão executada contra Cid, é tido como determinante para a confirmação da tese de que o ex-presidente da República estava envolvido na suposta trama golpista.

O ex-presidente da República nega que tenha tido qualquer intenção de se dar um golpe de estado no Brasil. Durante os atos de 25 de fevereiro, Jair Bolsonaro afirmou que “golpe é tanque na rua”.

“O que é golpe? Golpe é tanque na rua. É arma, é conspiração. É trazer classes políticas para o seu lado. Empresariais. É isso que é golpe. Nada disso foi feito no Brasil. Fora isso, por que continuam me acusando de golpe? Agora o golpe é porque tem uma minuta de um decreto de estado de defesa. Golpe usando a Constituição?”, declarou.

A frase, no entanto, vai ser usada por agentes federais contra o próprio ex-presidente.

BLOG DO JUCÉLIO com O Antagonista