
O 7 de Setembro deste ano trouxe à tona não apenas a tradicional exaltação à bandeira nacional, mas também manifestações de cunho simbólico que deixam claro um desconforto ideológico.
Ao empunhar bandeiras estrangeiras em pleno ato público, alguns manifestantes sinalizam uma substituição preocupante: trocar os próprios símbolos por chavões externos, na tentativa de emprestar legitimidade a uma narrativa política que carece de base orgânica.
Esse gesto, ainda que estético, reflete uma carência de autoconfiança política e confiança histórica. Mais do que exaltar um modelo ideológico, trata-se de uma abdicação simbólica — uma vassalagem disfarçada de aliança.
A soberania nacional e a construção de projetos de país não podem se apoiar em lactos externos; precisam ser erigidos sobre a capacidade interna de reflexão, crítica e perseverança coletiva.
O caminho para uma democracia madura passa por redescobrir nossa própria força: valorizar os símbolos locais, fortalecer a cultura política e fomentar o debate interno — em vez de buscar legitimação por meio de chaves prontas que, embora sedutoras, não são nossas.
Sofrer o espelho alheio é perder a chance de criar a própria imagem.
Jucélio Lindenberg – É Radialsita, escritor, filósofo e jornalista, pós-graduação em Rádio e TV pela PUC-SP