
A política internacional tem dessas ironias: onde antes havia ofensas e desconfiança, agora florescem elogios e acenos diplomáticos.
O telefonema entre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda-feira (6) revelou uma reviravolta digna de roteiro político — dois líderes que se chamaram de “lunático” e “nazismo com outra cara” trocando elogios e promessas de cooperação.
A mudança de tom não nasce do acaso. Vem de interesses, cálculos e pressões — de empresários, lobistas e diplomatas empenhados em esfriar o “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos.
O pragmatismo venceu o ressentimento. E, como em tantas outras vezes, a geopolítica mostrou que não há inimizades eternas, apenas conveniências momentâneas.
Trump, que antes exaltava Bolsonaro e atacava Lula, agora fala em “boa química” com o presidente brasileiro. Lula, por sua vez, prefere a diplomacia silenciosa, sem declarações públicas, mas sinalizando abertura ao diálogo — inclusive com um convite para Trump participar da COP-30 em Belém.
No fim das contas, o episódio expõe o verdadeiro motor das relações internacionais: não é ideologia, é interesse.
Hoje, Lula e Trump descobriram que é mais útil conversar do que se atacar. Amanhã, talvez mudem novamente. É a velha dança do poder — onde o que vale mesmo é o passo seguinte.

✍️ Jucélio Lindenberg é jornalista, radialista, filósofo, escritor e CEO do Portal PB.