
Um domingo diferente amanhece para todos nós. O Dia de Finados desperta lembranças profundas e intensifica a saudade. Pela oração, reavivamos a certeza do reencontro na eternidade e nutrimos o desejo de céu que habita o coração de quem segue Jesus.
A fé fortalece e capacita para o encontro definitivo. Que seja um domingo abençoado.
A saudade dói, porém o tempo organiza o que o coração não consegue arrumar sozinho. O amor é a única força capaz de sustentar a dor. Ao contemplar a cruz de Cristo, compreendemos que o sacrifício foi um ato supremo de amor.

Jesus não precisava morrer, mas aceitou a morte para nos lembrar da nossa própria finitude. No terceiro dia, venceu a morte pela Ressurreição, revelando que a última palavra não é da morte, mas da vida.
A morte permanece mistério para o coração humano. A ausência abre um vazio impossível de preencher, embora seja neste espaço que o amor revela sua eternidade. Com o tempo, a dor se transforma em memória acolhedora. As lágrimas perdem o peso do desespero e passam a regar a gratidão pelo que foi vivido.
A saudade ecoa o amor que permanece vivo, e o tempo, com delicadeza, reposiciona o que parecia impossível de organizar.
A fé ensina que a separação é apenas aparente. Quem amamos continua existindo, envolto no mistério da eternidade. Há um reencontro reservado aos que se amaram de verdade. Seguimos, transformando dor em saudade serena e saudade em esperança.
O amor que sobrevive à distância torna-se comunhão invisível, ligação que o tempo não rompe. Vida e morte deixam de ser opostos e passam a integrar o mesmo caminho, no qual o amor jamais morre.
Bênção. Paz e Bem. Santa Alegria. Abraço.

Frei Jaime Bettega, é frade capuchinho, formado em filosofia, teologia e Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão de Pessoas; doutor em administração.
Capuchinhos/RS