Educação na Paraíba: avançar é não deixar ninguém para trás

Falar sobre a educação na Paraíba é falar de conquistas, desafios e pessoas. Como pedagogo e ex-presidente da Undime/PB, acompanhei o trabalho das redes municipais nos 223 municípios paraibanos.

Os resultados mais recentes trazem esperança. Segundo o Inep, entre 2023 e 2025, o Ideb da Paraíba avançou de 5,7 para 6,1 nos anos iniciais, de 4,5 para 4,9 nos anos finais e de 4,0 para 4,4 no ensino médio. Na rede pública, também houve crescimento em todas as etapas. Esses avanços representam o esforço diário de milhares de profissionais.

A educação em tempo integral também cresceu. Dados do Ministério da Educação mostram que suas matrículas passaram de 27,4%, em 2022, para 33,1%, em 2024. Mas ampliar o tempo na escola só faz sentido quando ele vem acompanhado de aprendizagem, acolhimento, cultura, esporte e oportunidades.

Em minha experiência na Undime/PB, compreendi a força do regime de colaboração. Estado e municípios precisam caminhar juntos, com apoio técnico, formação e continuidade das políticas públicas. Educação não pode recomeçar a cada mudança de gestão. O que funciona deve ser avaliado, aperfeiçoado e mantido.

Não podemos permitir que bons indicadores escondam desigualdades. Ainda precisamos avançar na alfabetização na idade certa, na educação infantil, nos anos finais, na inclusão das crianças atípicas, na infraestrutura e na valorização dos profissionais. Uma média estadual pode crescer enquanto algumas crianças permanecem invisíveis. Nenhuma delas pode ser apenas um número numa planilha.

Defendo uma educação que reconheça cada território, da zona rural aos grandes centros, e escute quem vive a escola todos os dias. Avaliar é necessário, mas o resultado deve orientar ações, não apenas produzir rankings. O verdadeiro avanço acontece quando a aprendizagem chega a todos.

A Paraíba possui experiências exitosas e educadores comprometidos. Agora, precisamos transformar conquistas em políticas duradouras. Como educador, sigo acreditando que a educação se constrói com planejamento, cooperação e sensibilidade. Celebrar o que melhorou é justo. Enfrentar o que ainda falta é nossa responsabilidade.

Michael Lopes da Silva
Pedagogo, psicopedagogo e ex-presidente da Undime/PB
Colunista do Portal PB.com | Coluna Educação e Cultura