E, de repente, tudo pode perder o sentido!

Esta semana me deparei com uma notícia triste: a morte repentina de um amigo de trabalho.

Imediatamente, lembrei do nosso último plantão, do nosso último encontro, e vieram os questionamentos: será que deixei de escutar suas angústias? Será que não dei a devida importância às suas palavras?

Talvez tenha sido apenas mais um daqueles dias comuns, em que conversamos sobre a rotina de trabalho, sem perceber o que realmente existia por trás das conversas.

Esses pensamentos me levaram a uma reflexão importante: quantas vezes estamos transformando nossa vida em um simples roteiro, repetindo dias, horários e compromissos sem realmente viver cada momento?

Diante de tantas tragédias, perdas e despedidas inesperadas, talvez seja a hora de desacelerar. É tempo de rever nosso cotidiano e compreender que precisamos reservar espaço para nós mesmos, para nossos filhos, amigos e familiares.

Precisamos ter tempo para escutar, aconselhar, brincar, abraçar e estar verdadeiramente presentes.

Assim, talvez não carreguemos a dúvida de que faltou dizer alguma coisa àqueles que partiram sem que tivéssemos a oportunidade de nos despedir — ou, ao menos, de dizer um “até breve”.

Vale a pena refletir: nossa vida acelerada realmente faz sentido? Afinal, de que estamos correndo atrás, se, no fim, tudo ficará para trás?

Talvez a felicidade não esteja no acúmulo de riquezas, títulos ou conquistas materiais.

Talvez ela esteja justamente na simplicidade de viver mais tempo ao lado das pessoas que amamos, aproveitando cada instante como um presente.

Porque, às vezes, basta um único acontecimento para nos lembrar de que a vida pode mudar completamente… e de repente, tudo pode perder o sentido.

✍️ Marleide Cilene – É Psicóloga Clínica com atuação na área social, especialista em prevenção da dependência química. Atualmente psicóloga no Hospital das Clínicas em Campina Grande-PB