
A articulação por pedidos de vista na CCJ para frear o PL da Dosimetria expõe, mais uma vez, como o tempo é ativo político no Congresso.
À frente da maioria no Senado, o paraibano Veneziano Vital do Rêgo conduz um movimento regimentalmente legítimo, mas politicamente calculado: retirar o projeto da vitrine imediata e empurrar o debate para fevereiro, quando o ambiente tende a ser menos inflamado.
O gesto ganha peso ao somar-se à posição de Alessandro Vieira, que já indicou voto contrário e também deve recorrer à vista.
Na prática, a estratégia equaliza forças, descomprime tensões e sinaliza que o texto, como está, não reúne consenso mínimo. Não é obstrução; é leitura de cenário. Em Brasília, muitas vezes, governar é saber esperar.
A fala do relator Esperidião Amin reforça o diagnóstico: mudanças serão necessárias para que a proposta avance.
Ao admitir que o texto não passa do jeito que está, o Senado indica prudência institucional diante de um tema sensível — redução de penas e tempo de prisão para condenados por tentativa de golpe — que exige mais que maioria circunstancial; exige maturidade política e segurança jurídica.

Jucélio Lindenberg é jornalista, radialista, filósofo, escritor e CEO do Portal PB.