
Vivemos um tempo em que a tecnologia encurta distâncias, mas paradoxalmente amplia vazios.
No ambiente político e social, esse fenômeno da “solidão hiperconectada” ganha contornos ainda mais sensíveis: líderes falam por telas, cidadãos interagem por algoritmos e o debate público, muitas vezes, se reduz a frases de efeito.
A sensação de presença permanente esconde uma ausência real de diálogo, empatia e escuta qualificada — elementos essenciais para uma democracia madura e para uma sociedade saudável.
No cotidiano paraibano, esse dilema também se manifesta. A esfera pública migrou para as redes, onde opiniões se multiplicam, mas o entendimento rareia.
A comunicação sem contato humano fragiliza laços comunitários e transforma relações em números — seguidores, likes, compartilhamentos — em vez de vínculos genuínos.
Essa lógica impacta não apenas a vida pessoal, mas a própria dinâmica política, que passa a priorizar a imagem em detrimento do conteúdo.
Cabe a nós, enquanto sociedade e enquanto imprensa responsável, refletir sobre o uso consciente da tecnologia.
Desconectar-se, ainda que por momentos, pode ser o primeiro passo para reconstruir pontes reais, fortalecer o diálogo e resgatar a política como espaço de encontro — e não apenas de exposição.

Jucélio Lindenberg é jornalista, radialista, filósofo, escritor e CEO do Portal PB