
O canal de WhatsApp “Tropa do Flávio”, ligado à campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), compartilhou vídeos, declarações de Lula (PT) fora de contexto e conteúdos enganosos em meio à disputa pelo segundo turno presidencial.
Entre as publicações, uma gravação de uma jovem fazendo um movimento em direção ao nariz foi associada a um suposto uso de drogas durante manifestação pró-Lula na avenida Paulista, em São Paulo, no domingo (11).
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, imagens semelhantes circulavam em páginas argentinas desde junho, antes do ato político brasileiro.
Após ser questionada pela imprensa, a campanha de Flávio apagou a publicação.
O deputado Gustavo Gayer (PL-GO), que também divulgou áudio incentivando a disseminação de conteúdos críticos ao protesto, afirmou que não havia identificado o vídeo como sendo da manifestação na Paulista e contestou a caracterização de notícia falsa.
A gravação também apareceu em publicações do próprio Flávio, do influenciador Pablo Marçal (PRTB) e de outros aliados políticos. Em resposta, a campanha de Lula acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para solicitar a remoção do material.
A assessoria de Flávio declarou que o canal é um instrumento de comunicação e mobilização digital, registrado na Justiça Eleitoral, e negou a divulgação de notícias falsas.
Além do vídeo, o canal compartilha montagens e recortes de declarações do presidente, apresentados sem o contexto original ou utilizados para sustentar críticas políticas.
Entre os exemplos estão falas sobre religião, segurança pública e aborto legal.
Algumas publicações recorrem a imagens produzidas por inteligência artificial para reforçar ataques ao petista.
A disputa também envolve a dimensão dos canais digitais. Às 17h da segunda-feira (12), o “Exército do Lula”, administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG), reunia 3,8 milhões de seguidores no WhatsApp, enquanto a “Tropa do Flávio” somava 1,4 milhão.
Parlamentares e influenciadores ligados à direita têm incentivado o compartilhamento de mensagens para ampliar o alcance da campanha.
O episódio evidencia o peso da circulação de conteúdos digitais na disputa eleitoral e a importância de verificar a origem e o contexto das informações antes de compartilhá-las.
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