
Uma eventual derrota do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos pode aumentar o custo político do apoio de Donald Trump ao senador Flávio Bolsonaro.
A avaliação é de especialistas em direito internacional ouvidos pela reportagem. As midterms renovam toda a Câmara dos Representantes e parte do Senado, definindo a correlação de forças para os dois últimos anos do mandato presidencial.
Segundo o advogado Victor del Vecchio, mestre em direito internacional, o Congresso não tem poder para determinar a saída de Flávio do país, mas pode convocar autoridades, requisitar documentos e abrir investigações.
“O efeito mais imediato de uma eleição desfavorável ao Trump seria aumentar a transparência e o custo político dessa decisão, mas não necessariamente provocar uma mudança automática na situação migratória do Flávio”, afirmou.
Flávio deixou o Brasil após perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de decisão do STF que proibia sua saída.
Teve os documentos brasileiros cancelados e não cumpriu a ordem de entregar eventuais passaportes de outras nacionalidades.
Chegou aos EUA em 28 de outubro com autorização do governo americano, recebendo uma liberação temporária de entrada, o parole, que não equivale a asilo nem garante residência permanente.
A advogada Renata Alvares Gaspar, diretora acadêmica da Edrin, considera improvável a deportação dos irmãos Bolsonaro, mas admite a possibilidade de extradição.
Ela avalia que o enfraquecimento de Trump poderia favorecer a cooperação das autoridades americanas diante de pedidos apresentados pelo Brasil.
Del Vecchio cita Argentina e El Salvador como possíveis destinos caso o senador tente se antecipar a uma medida que o obrigue a sair.
Redação Portal PB