
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (27) que a Polícia Federal abra inquérito para investigar suspeitas de interferência estrangeira nas eleições deste ano em favor da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Lula (PT).
A ordem foi dada na ADPF 1178, acionada pela campanha de Lula e por pedido de Renan Santos, derrotado no primeiro turno.
A PF deve identificar quem contratou e pagou publicações políticas de perfis estrangeiros, de onde veio o dinheiro e se empresários brasileiros participaram.
Também vai apurar se as plataformas digitais trataram candidaturas de forma desigual — o que Dino classificou como “assimetria dolosa e manipulação algorítmica”.
O despacho cita tratativas entre a Rockbridge Network, organização conservadora dos Estados Unidos fundada com a participação do vice-presidente J.D. Vance, e os empresários Tallis Gomes e Pedro Sang, apoiadores do senador.
A apuração quer saber se houve oferta de apoio político em troca de vantagens na exploração de terras raras e minerais críticos brasileiros.
Baseada em relatório da Abin sobre riscos externos, a decisão será conduzida em procedimento próprio sob supervisão do STF, diante da possibilidade de envolvimento de integrantes do Congresso.
Em 15 de outubro, o tribunal já havia imposto restrições à Meta.
“Não se admite a interferência, direta ou indireta, de Estado estrangeiro sobre assuntos submetidos à soberania da República Federativa do Brasil, tampouco a produção, em território nacional, de efeitos decorrentes de atos unilaterais estrangeiros à margem dos mecanismos constitucionalmente previstos” — Ministro Flávio Dino
Para o ministro, há indícios que justificam a investigação, mas as suspeitas ainda precisam ser esclarecidas.
Redação Portal PB