
Prometer um SUS padrão Einstein rende manchete. Explicar como isso será possível é que parece ser a parte mais difícil.
No debate da Band, Flávio Bolsonaro lançou a promessa de transformar o Sistema Único de Saúde em referência de qualidade semelhante à do Hospital Israelita Albert Einstein. A frase é ambiciosa, mas falta o principal: o plano para tirar a promessa do discurso e colocá-la de pé.
Quanto será investido? De onde virão os recursos? Como melhorar hospitais, reduzir filas e garantir atendimento digno em todos os municípios brasileiros?
O Einstein é uma instituição de excelência, mas não se transforma uma rede pública de alcance nacional em um hospital de referência apenas com uma declaração de campanha.
O SUS atende milhões de brasileiros, da vacinação aos tratamentos de alta complexidade.
Precisa de financiamento adequado, gestão eficiente, estrutura e profissionais valorizados.
Comparar os dois padrões sem explicar como superar essas diferenças é vender uma imagem sem apresentar o caminho.
A eventual presença de um profissional ligado ao Einstein no Ministério da Saúde também não resolve, por si só, os problemas históricos do sistema. Currículo não substitui orçamento, assim como nome conhecido não garante resultado.
Na campanha, prometer excelência é fácil. Difícil é apresentar a conta e assumir o compromisso de pagá-la. O SUS merece melhorar, e muito.
Mas o eleitor merece mais do que uma frase de efeito: merece metas, recursos e propostas verificáveis.
Afinal, saúde pública não pode ser tratada como cenário de debate nem como slogan eleitoral.
POLITICANDO COM JUCÉLIO LINDENBERG
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