A fé é abrigo e sustento

Bom dia! O domingo chega para harmonizar a alma e nos recordar da importância de reservar um tempo para cultivar a espiritualidade. Hoje celebramos o Perdão de Assis, dia da Indulgência Plenária. Na Festa de Santa Maria dos Anjos, temos a oportunidade de experimentar o perdão de todos os pecados. Feliz domingo!

“Mas uma lição eu aprendi: se com fé é difícil atravessar os temporais, imagina sem ela.” (Rita Maidana).

A fé nos dá forças para continuar, mesmo quando tudo parece não ter futuro. Se não fosse ela, talvez muitos de nós já não estivéssemos de pé. Afinal, a vida é feita de dias ensolarados e também de dias chuvosos. E, por vezes, os temporais chegam sem pedir licença.

Em alguns momentos, a vida escurece de repente, os ventos mudam, o chão parece perder firmeza e a alma precisa reunir forças que nem imaginava possuir. Ninguém atravessa essas horas com facilidade.

A fé não torna leve tudo o que pesa, nem transforma a dor em algo simples. Ela não impede a chuva, não evita todas as perdas e nem responde imediatamente a todas as perguntas. Mas oferece algo essencial: uma presença. E essa presença transforma a maneira como enfrentamos o sofrimento.

Quando a pessoa crê, mesmo entre lágrimas, sabe que não está abandonada dentro da tempestade. Deus não se afasta quando o céu fecha. Ele permanece no íntimo da travessia, sustentando o coração quando a razão já não consegue encontrar explicações.

Sem fé, o sofrimento pode parecer apenas caos. Com fé, ainda que doa, a alma encontra um fio de esperança para continuar.

A oração feita em meio ao medo talvez seja pequena. Às vezes, é apenas um suspiro. Outras vezes, uma palavra repetida ou um silêncio diante de Deus. Ainda assim, esse gesto impede que o temporal tenha domínio completo sobre nós.

A fé não elimina a fragilidade, mas a envolve de esperança. Ela nos recorda que a noite também passa, que as águas não têm a última palavra e que existe uma mão invisível acompanhando cada passo.

Mesmo quando nada muda por fora, algo permanece preservado por dentro. E essa preservação já é um sinal do cuidado de Deus.

Depois de certos temporais, ninguém volta igual. Algumas certezas se desfazem, outras amadurecem. Quando olhamos para trás, percebemos que a fé não foi apenas um detalhe da caminhada. Ela foi abrigo, direção e sustento. Foi o modo silencioso de Deus nos manter de pé quando tudo parecia nos levar embora.

Bênção! Paz & Bem! Santa Alegria! Abraço!

Frei Jaime Bettega
Capuchinhos/RS