Na política digital, quem não gera conversa desaparece do debate

A política deixou de disputar apenas votos. Agora, disputa segundos de atenção. Em um ambiente dominado pelas redes sociais, ideias, projetos e até governos só conseguem permanecer relevantes quando conseguem provocar debate.

O chamado “flop”, expressão popularizada na internet para definir aquilo que não repercute, tornou-se uma metáfora perfeita para explicar a nova lógica da comunicação política.

Nos bastidores, marqueteiros, estrategistas e lideranças compreenderam que a batalha não acontece apenas nas ruas ou nos palanques. Ela acontece, principalmente, nos celulares.

O algoritmo recompensa quem gera reações, comentários, compartilhamentos e controvérsias.

Nesse cenário, discursos moderados frequentemente perdem espaço para conteúdos que despertam emoção, indignação ou identificação imediata. Não basta comunicar; é preciso fazer as pessoas comentarem.

Quem entende essa dinâmica amplia sua influência muito além do tamanho do partido ou do tempo de televisão. Quem ignora esse novo ambiente corre o risco de desaparecer do debate público, mesmo ocupando cargos importantes.

O poder político passou a depender, cada vez mais, da capacidade de construir narrativas permanentes.

A oposição utiliza essa estratégia para manter governos sob pressão, enquanto governistas buscam transformar entregas administrativas em assuntos capazes de circular espontaneamente nas redes.

O maior desafio da democracia talvez esteja justamente aí.

Quando o sucesso de uma pauta passa a ser medido pelo barulho que produz, existe o risco de temas realmente importantes perderem espaço para polêmicas fabricadas apenas para alimentar o algoritmo.

A política continua sendo feita por ideias e decisões, mas a percepção pública, hoje, é construída pela capacidade de transformar essas decisões em conversa.

No mundo digital, muitas vezes não vence quem faz mais; vence quem consegue permanecer no centro da atenção.

A comunicação digital deixou de ser um instrumento da política para se tornar parte da própria disputa pelo poder. Hoje, controlar a narrativa significa influenciar a percepção pública antes mesmo que os resultados apareçam.

Por Jucélio Lindenberg
Colunista da Politicando | Portal PB