
O Brasil vive um crescimento acelerado da população idosa, impulsionado pela melhora na expectativa de vida e pelo avanço no número de pessoas acima dos 80 anos. Segundo o IBGE, até 2050 o país terá três vezes mais idosos, realidade que exige mais proteção, respeito e políticas públicas eficazes.
O Estatuto do Idoso reforça que ninguém pode ser submetido a negligência, violência ou discriminação — um compromisso que deve ser assumido por toda a sociedade.
Apesar das garantias legais, a violência contra o idoso ainda é uma realidade alarmante. Agressões físicas, psicológicas, patrimoniais, sexuais e negligência aparecem como as formas mais frequentes, muitas vezes praticadas por pessoas próximas, como familiares e cuidadores.
Nos primeiros cinco meses de 2024, o Brasil ultrapassou 70 mil denúncias, aumento de 28% em relação ao ano anterior.
A OMS estima que 1 em cada 6 idosos sofre algum tipo de violência no mundo.

Entre as violências registradas, a negligência segue como a mais comum, marcada pela omissão de cuidados básicos.
A violência física inclui agressões e maus-tratos visíveis, enquanto a violência sexual, embora silenciosa, tem impactos profundos.
Já a violência psicológica — muitas vezes invisível — abrange humilhações, ameaças, xingamentos e isolamento, sendo uma das que mais causam sofrimento emocional.
Os sinais de alerta exigem atenção: medo do cuidador, mudanças de comportamento, machucados recorrentes e frases de baixa autoestima são indícios claros de abuso.
As consequências psicológicas são severas e duradouras, podendo resultar em depressão, ansiedade, insônia e perda de autonomia.
Denunciar é fundamental. A violência contra o idoso é crime e pode ser comunicada pelo Disque 100.
Além disso, fortalecer a rede de apoio, incentivar a convivência social e orientar idosos e famílias são medidas essenciais para garantir envelhecimento digno.
Cuidar é um gesto de amor e respeito — e a conscientização é o primeiro passo para transformar essa realidade.

Marleide Cilene – É Psicóloga Clínica com atuação na área social, especialista em prevenção da dependência química. Atualmente psicóloga no Hospital das Clínicas em Campina Grande-PB