
O filósofo e escritor Mário Sérgio Cortella costuma repetir uma frase que considero essencial para refletirmos: “As famílias confundem escolarização com educação. É preciso lembrar que a escolarização é apenas uma parte da educação. Educar é tarefa da família”.
O desenvolvimento infantil é um processo contínuo, rico e complexo. Ele envolve mudanças físicas, cognitivas, sociais e emocionais desde o nascimento até a adolescência. Essas transformações são influenciadas por fatores genéticos e ambientais, e é nesse percurso que a criança forma sua personalidade e aprende a lidar com o mundo à sua volta.
Vivemos um tempo em que a modernidade e o avanço das tecnologias — como as redes sociais e a inteligência artificial — têm interferido nas relações humanas. Muitos pais têm enfrentado dificuldades em compreender o ritmo desse novo tempo e em acompanhar o desenvolvimento emocional dos filhos. É um desafio que exige atenção, presença e, acima de tudo, vínculo afetivo.
Sigmund Freud nos lembra que os pais têm papéis complementares e fundamentais na formação psíquica da criança. A mãe (ou figura materna) é quem oferece o amor, o acolhimento e a segurança emocional.
Já o pai (ou figura paterna) representa a autoridade, os limites e a introdução da criança no mundo social. Essa combinação é o que sustenta o equilíbrio entre afeto e estrutura — bases essenciais da personalidade.
Diante desse contexto, compartilho algumas dicas que podem auxiliar os pais na tarefa de educar com amor e consciência:
• Educar e orientar: promova o desenvolvimento intelectual, físico e social dos filhos, transmitindo valores e mostrando a importância do conhecimento.
• Estabelecer limites: dê segurança e clareza sobre o que é certo e errado, ajudando a criança a compreender regras e responsabilidades.
• Ser modelo: seja exemplo de atitudes positivas, enfrentando desafios com serenidade e cultivando hábitos saudáveis.
• Ter empatia: perceba como seu filho aprende melhor — lendo, ouvindo, criando ou interagindo — e respeite seu ritmo.
• Participar do aprendizado: acompanhe as atividades escolares, dialogue com os professores e mostre interesse genuíno pelo que ele aprende.
• Identificar dificuldades: esteja atento a sinais de desânimo, ansiedade ou queda no desempenho. Escute e procure compreender o que está por trás desses comportamentos.
• Estimular habilidades: incentive práticas esportivas, artísticas e criativas, fortalecendo a autoconfiança e a autonomia.
A parceria entre família e escola é o melhor caminho. A criança leva para a escola o que aprende em casa — e traz para casa o que descobre na escola. Essa troca constante é o que enriquece o aprendizado e fortalece o desenvolvimento humano.
Educar é um ato de amor, paciência e presença. Mais do que ensinar, é participar do crescimento dos filhos, ajudando-os a se tornarem pessoas equilibradas, conscientes e emocionalmente saudáveis.

Marleide Cilene – É Psicóloga Clínica com atuação na área social, especialista em prevenção da dependência química. Atualmente psicóloga no Hospital das Clínicas em Campina Grande-PB