
Em meio à escalada da tensão comercial com os Estados Unidos, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (23) que o governo brasileiro já finalizou um plano de contingência para socorrer os setores produtivos prejudicados pela sobretaxa de 50% imposta pela Casa Branca sobre produtos de aço e alumínio.
A declaração foi feita após reunião entre os Ministérios da Fazenda, Relações Exteriores e Indústria, que trabalham de forma coordenada na tentativa de mitigar os impactos econômicos e manter os canais diplomáticos abertos com os Estados Unidos.

Segundo Haddad, a proposta será apresentada ao presidente Lula nos próximos dias e deve conter medidas de crédito, incentivo à produção e ações de compensação para empresas exportadoras.
“O Brasil tem plano de contingência para qualquer cenário. Mas jamais deixará a mesa de negociação. Queremos defender os interesses nacionais com responsabilidade”, afirmou Haddad em entrevista coletiva.
O ministro reiterou que, embora os EUA ainda não tenham dado sinais concretos de recuo na política tarifária, o Brasil manterá sua postura diplomática e não abrirá mão do diálogo.
Haddad destacou que o governo está atuando em várias frentes, incluindo articulações com a Organização Mundial do Comércio (OMC).
Estados começam a agir: São Paulo anuncia linha de crédito
Paralelamente, o governo do estado de São Paulo anunciou uma linha de crédito emergencial de R$ 200 milhões voltada a indústrias impactadas pelo tarifaço.
A medida busca garantir a continuidade das atividades produtivas e preservar empregos no setor metalúrgico, considerado um dos mais atingidos.
Apesar do esforço estadual, Haddad reconheceu que os prejuízos são expressivos: somente o setor de aço e derivados representa cerca de US$ 40 bilhões em exportações para os EUA.
O governo federal, segundo ele, avalia novas possibilidades de apoio junto ao BNDES e outros instrumentos de fomento econômico.
Diplomacia em primeiro plano
Nos bastidores, fontes do Itamaraty indicam que o Brasil trabalha discretamente para evitar a adoção de retaliações unilaterais, priorizando saídas diplomáticas respaldadas em acordos multilaterais.
Ainda assim, a chamada Lei da Reciprocidade — que prevê medidas equivalentes em casos de prejuízo comercial — permanece como uma alternativa em estudo, caso não haja avanços nas negociações.
A expectativa do Palácio do Planalto é que o presidente Lula se pronuncie oficialmente sobre o tema após análise do plano elaborado pelos ministérios envolvidos.
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