
A eleição presidencial de 2026 caminha para ser a “saideira” da polarização que moldou o Brasil político da última década.
Lula chega ao pleito como líder consolidado do campo progressista, mas sem um sucessor claro à vista, apostando todas as fichas em sua própria trajetória.
Do outro lado, o bolsonarismo segue vivo, embora órfão de seu principal líder, hoje fora do jogo institucional e com influência eleitoral ainda incerta.
As pesquisas revelam um paradoxo curioso: o eleitor demonstra cansaço da polarização, mas não enxerga, com clareza, alternativas que a substituam.
Nesse vácuo, nomes ligados ao sobrenome Bolsonaro ainda encontram espaço, mesmo cercados de fragilidades políticas e desgastes acumulados. Ao mesmo tempo, a direita se mostra desorganizada, dividida entre a lealdade emocional ao clã e a busca por um perfil mais competitivo e palatável ao centro.
Enquanto isso, Lula tende a explorar seu capital político e simbólico, destacando avanços sociais, recuperação da imagem internacional do país e uma economia que apresenta indicadores positivos, embora pressionada por desafios fiscais e pela disputa em torno dos juros.
Com eleitorado fiel, porém menos entusiasmado, a campanha de 2026 promete ser marcada mais por narrativas e disputas simbólicas do que por novidades estruturais.
Será, tudo indica, o último ato de uma era que já dá sinais claros de esgotamento.

Jucélio Lindenberg é jornalista, radialista, filósofo, escritor e CEO do Portal PB.